Global Risk Perspectives - Monthly insights on geopolitics, trade & climate

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Ariel Couto
28.10.2021

A pandemia de ataques cibernéticos

A pandemia de Covid-19 trouxe profundas mudanças para o mundo não apenas sob o ponto de vista sanitário, mas também no âmbito social, econômico e comportamental. Alarmados, todos os mercados foram obrigados a alterar suas operações para além das já aceleradas transformações que vinham implementando por meio do digital. E o segmento segurador, acostumado a acompanhar as necessidades dos clientes sempre sobre sólidas e seguras bases, encontrou-se diante de uma série de novos aspectos importantes a serem desmistificados e trabalhados.  

Entre as mudanças que mais rapidamente causaram impacto, destaca-se a expansão do trabalho em home-office. Ao passo que a tecnologia e os processos digitais migravam de forma veloz para a nuvem e o dia a dia corporativo extrapolava as paredes dos escritórios para se desenrolar nas casas e nos equipamentos portáteis dos colaboradores, as companhias se tornaram alvos cada vez mais de fáceis para os cibercriminosos. Com as barreiras e proteções mais baixas encontradas nas conexões domésticas, se comparadas com as corporativas, informações sigilosas, dados de clientes e transações financeiras tornaram-se alvos fáceis para grupos cada vez mais ousados e especializados em ataques cibernéticos. 

Recentemente, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) divulgou que os prejuízos mundiais causados por crimes cibernéticos giram em torno de US$ 1 trilhão em 2020, e US$ 6 trilhões em 2021. Esses números foram corroborados por periódicos especializados como o Cybercrime Magazine, que projeta um incremento anual de 15% nas perdas por ciberataques até 2025, atingindo o montante de US$ 10,5 trilhões no mundo todo. No que diz respeito ao cenário brasileiro, um recente levantamento divulgado pela Época Negócios aponta que o nosso país já ultrapassou o montante de 9 milhões de ocorrências e é o 5º maior alvo de cibercrimes em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e África do Sul.  

Se observarmos os fatos, veremos cada vez mais exemplos de ataques de alto impacto envolvendo multinacionais. Um dos casos mais proeminentes envolveu a JBS, considerada a maior processadora de carne bovina do planeta: em maio deste ano, a organização enfrentou uma invasão cibernética de grande escala e, consequentemente, paralisou suas operações em países como Canadá, Austrália e Reino Unido. Neste episódio em específico, a invasão gerou o temor de uma possível pane no abastecimento de alimentos e causou um prejuízo estimado de US$ 11 milhões apenas para recuperação de sistemas. Mais recentemente, em agosto, vimos também o Grupo Lojas Renner S.A sofrer uma investida de grandes proporções que afetou o e-commerce da marca e paralisou as operações por alguns dias. 

Por fim, outro notório incidente relacionado à cibersegurança mundial levou ao corte de fornecimento de insumos de combustíveis nos Estados Unidos. O ataque à rede que controla um dos principais oleodutos norte-americanos acabou impactando diretamente o fornecimento de gasolina e diesel e provocou prejuízo a diversas indústrias, incluindo transportes aéreos, marítimos e terrestres.  

É evidente que o cibercrime já existia antes mesmo da pandemia, mas a vida cada vez mais digital aumentou exponencialmente a exposição a esse risco, bem como a visibilidade da ameaça, acarretando no acirramento das discussões e abrindo espaço para a consolidação de legislações específicas, como a Lei 14.155, de 2021, que estabelece medidas penais para delitos praticados na esfera cyber.  

Diante desse cenário amplamente divulgado e tendo em vista a crescente dependência diária que empresas e pessoas têm em relação à internet e à tecnologia em geral, torna-se urgente a construção de espaços virtuais cada vez mais seguros. Como se sabe, os cibercriminosos se atualizam à medida que surgem novas tecnologias de segurança, de tal forma que as empresas que não contam com o respaldo de um seguro específico para ameaças dessa natureza podem estar fadadas a sofrer danos irreversíveis às finanças, aos negócios e à reputação. 

Atentas à crescente demanda do mercado por proteção, empresas do ramo de seguros e corretagem — a exemplo da MDS — têm se especializado em fazer a gestão deste tipo de ameaça e oferecer coberturas atuais e personalizáveis contra crimes cibernéticos. A assertividade das coberturas para o cyber universo provém da união entre profissionais com know-how neste segmento e tecnologia de ponta, o que torna possível mapear pontos de vulnerabilidade, identificar riscos e subscrever apólices alinhadas às necessidades de cada cliente. Com o aumento de soluções baseadas em IOT, robotização, IA, entre outras, o risco cibernético tornar-se-á cada vez mais presente em nossas vidas, alterando significativamente a percepção tradicional de risco que tínhamos até então. Cabe ao mercado acompanhar essa evolução, apresentando às empresas alternativas capazes de ao menos mitigá-lo, em não sendo possível eliminá-lo. 

Em termos de negócios, há um grande otimismo do mercado segurador quanto ao potencial do nicho. De acordo com um estudo recente realizado pela MarkertsAndMarkets, o mercado de Seguro Cyber deve atingir o patamar de U$20,5 bi em prêmios até 2025 — o que indica uma taxa de crescimento de, aproximadamente, 20% ao ano. E quem sair na frente, inovando, investindo e aprendendo com o segmento, como sempre, terá a oportunidade de "beber água limpa".   

O fato é que tanto as empresas de tecnologia quanto o mercado de seguros global trabalham para desenvolver soluções capazes de dar aos clientes a tranquilidade de seguir em frente, mantendo suas informações e seus negócios seguros contra a nova "ameaça invisível". E que, no final, o "bem" possa sair vencedor nessa batalha contra o "mal". 


Por Ariel Couto, CEO da MDS Brasil e Americas Regional Manager da Brokerslink 
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