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Gripe A (H1N1) e a pandemia

“De acordo com o nosso stress test para seguros de vida, a Swiss Re estima, com base no seu modelo, que as indemnizações reclamadas por mortalidade em caso de grande pandemia ascendam a 3,5 mil milhões de Francos Suíços (aproximadamente 2,3 mil milhões de euros)...”

Gripe A (H1N1) e a pandemia
O aparecimento da Gripe A (H1N1) no México e em outras partes do mundo é, sem dúvida, motivo de preocupação e não apenas para os países já diretamente afetados. 
Bob Howe, um dos maiores peritos em pandemias da Swiss Re, responde a algumas questões fundamentais:

 

Qual a perspetiva das (res)seguradoras neste momento? 

Bob Howe: Em primeiro lugar, não podemos esquecer que, para muitos dos familiares e amigos das pessoas afetadas, estamos perante uma questão humana com consequências trágicas. Mas por outro lado, já estão a ser colocadas questões sobre os potenciais impactos em termos de negócio. 
Será sem dúvida um motivo de preocupação para as (res)seguradoras com portfolio significativo envolvendo risco de mortalidade, caso surja um fenómeno deste tipo, de grandes proporções. 
Quando se fala em cenários de pandemia, é comum fazer comparações com a pandemia de 1918. Mas é muito pouco provável que os níveis de mortalidade provocados pela pandemia de gripe de 1918 venham a repetir-se hoje em dia, devido à existência de antibióticos e antivirais. A mortalidade resultante das duas outras pandemias que ocorreram na história recente (1957 e 1968) teve uma dimensão bastante menor.  
As atuais ocorrências estão a ser permanentemente monitorizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Como resposta em caso de pandemia global (isto é, transmissão generalizada entre seres humanos), os governos estão geralmente bem preparados, possuindo planos de contingência específicos, assim como reservas consideráveis de medicamentos antivirais. 

 

 Já é possível prever o nível de gravidade? Se não, porquê? 

Bob Howe: Não, ainda não é possível. 
A Swiss Re tem vindo a acumular, nos últimos anos, um elevado nível de conhecimento sobre gripe pandémica. Com as recentes ocorrências no México e noutros locais, as pessoas perguntam por que razão não existem ainda respostas concretas para este problema. 
Para qualquer vírus da gripe, existem quatro características cruciais na determinação do resultado final: 
  • a capacidade de disseminação do vírus (tecnicamente designada por "valor R0”) 
  • a sua letalidade (quantas pessoas morrem face ao número de pessoas infetadas) 
  • o perfil de idade da mortalidade, e 
  • a resposta da doença aos tratamentos antivirais. 
A informação disponível até ao momento dá-nos muito poucas indicações sobre o R0. No México, conhecem-se alguns casos de morte e alguns casos clínicos suspeitos ou confirmados (o termo "clínico” significando apenas que foram casos observados por profissionais de saúde). Não sabemos, contudo, quantas pessoas poderão estar infetadas sem apresentarem qualquer sintoma. As pessoas que manifestam sintomas tanto podem representar apenas uma ínfima percentagem do número total de pessoas infetadas, como uma grande percentagem. A taxa de crescimento do número total de pessoas infetadas permite-nos estimar o potencial de disseminação e, à medida que existam mais dados disponíveis, estimar esse potencial. Mas atualmente, tal não nos é possível.  
A letalidade do vírus, associada ao número de pessoas infetadas, permite determinar o número provável de mortes. Temos alguns indicadores sobre o número de vítimas mortais no México, mas dado que não conhecemos o número total de pessoas infetadas, não podemos determinar a letalidade. Se, por exemplo, as mortes ocorridas são subsequentes à infeção de alguns milhões de pessoas, então a atual taxa de mortalidade pode ser considerada baixa face à resultante de pandemias de gripe que ocorreram no passado. 
Se o número de mortes decorrer da infeção de apenas algumas centenas de pessoas, então a taxa de mortalidade é bastante elevada. Não é, ainda, possível determinar a letalidade.  
No que respeita ao perfil etário das vítimas mortais, os relatórios parecem indicar que a maior parte das mortes ocorridas no México são de jovens adultos, mas esses relatórios são, de alguma forma, especulativos. Mesmo que fosse o caso, não se sabe se o elevado número de vítimas mortais entre os jovens adultos se deve a uma maior letalidade do vírus nesta faixa etária ou a um maior índice de pessoas infetadas nesta faixa etária. 
Por último, dados obtidos a partir de várias fontes indicam que dois dos principais medicamentos antivirais (Tamiflu e Relenza) são altamente eficazes na redução da gravidade dos efeitos clínicos deste vírus. Isto reduziria significativamente a mortalidade em países onde existem stocks destes medicamentos. 
Quando conseguirmos ter uma resposta mais esclarecedora para estas questões, conseguiremos conhecer a forma como esta doença se transmite e como afecta a mortalidade. Até lá, é impossível estimar o impacto financeiro. 

 

A Swiss Re está preparada para uma pandemia global? 

Bob Howe: Sim. A Swiss Re acompanha de forma atenta e permanente o desenvolvimento de potenciais epidemias e pandemias, e está a monitorizar de forma próxima a atual ameaça da Gripe A (H1N1) para saúde humana. 
A Swiss Re está bem preparada para lidar com os riscos de seguros, financeiros e de continuidade de negócio que poderiam decorrer de uma pandemia, bem como para continuar a subscrever novos negócios posteriormente.  
O nosso capital é forte, o portfolio diversificado e temos planos de continuidade de negócio operacionais. 

 

O que tem feito a Swiss Re na prática para avaliar os seus requisitos de provisionamento, caso surja uma grande pandemia, agora ou em qualquer momento? 

Bob Howe: Apesar de não podermos fazer qualquer comentário sobre o possível impacto dos atuais surtos de Gripe A (H1N1) nesta fase, a Swiss Re desenvolveu um sofisticado modelo epidemiológico para melhorar a compreensão do potencial leque de consequências de uma pandemia, que nos permite provisionar melhor o risco em causa. 
Com este modelo, estimamos que, nos países mais desenvolvidos, a ocorrência de um surto de gripe pandémica em 200 anos causaria uma mortalidade de 1 a 1,5 mortes por 1000 pessoas seguras. 
O modelo mostra também que a pandemia de gripe que ocorreu em 1918 teria hoje um impacto na mortalidade muito inferior. Um dos principais fatores responsáveis pela gravidade da pandemia de 1918 face à que teria atualmente, está relacionada com a inexistência de antibióticos, vacinas ou antivirais naquela época. 
De acordo com o nosso stress test para seguros de vida, a Swiss Re estima, com base no seu modelo, que as indemnizações reclamadas por mortalidade em caso de grande pandemia (gravidade de ocorrência de 1 em 200 anos) ascendam a 3,5 mil milhões de francos suíços (aproximadamente 2,3 mil milhões de euros), à cotação de 31 de Dezembro de 2008. O cenário parte do princípio de que a sobre mortalidade variará em função da idade, sendo contudo conservador na medida em que não tem em conta a típica baixa taxa de mortalidade ocorrida entre as populações seguras. Esta informação consta do nosso relatório anual de 2008, mas não constitui, como faço questão de frisar, uma previsão das perdas estimadas relativas ao atual surto. 
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